domingo, 22 de março de 2009

Perguntas


Sei nem se é preciso, mas me sinto na obrigação, necessidade, sei lá de falar qualquer coisa que seja, nem que seja para rodar e rodar e rodar assim como faço agora. Ontem, passando depressa nos canais televisivos um falatório me chamou atenção. A escritora falava assim, no canal 5 que o ato de perguntar deixa o corpo em movimento, que depois de uma pergunta você não é mais a mesma. E a partir disso que vem minha oratória.

E agora, José, Maria, Li, Thiago, Roberta, Silvia, Felipe? E agora,, o que fazemos nós?
Mudamos de trajetória?
Sim?
Não?
Para onde estamos indo?
Quem somos hoje?
Quem fomos ontem?
Quem seremos amanhã?]
O ser muda?
O que fica dos resquícios de multidões?
O que fica de mim no todo? Que contribuições eu dei? O que eu fiz? Eu o sei? Ou passei feito nada, indigente, fria, sem dores... O que é em mim vocês hoje? Que pretensões tenho quando penso nas terças, as lindas terças-feiras rodeadas de muito trabalho, empenho, sonhos, utopias, desejos, união? Hein? Alguém me responde, ou perguntas servem para me deixar em suspensão de respondê-las...
Fico muitas vezes calada.

No livro que leio agora [ Mare Nostrum sonhos, viagens e outros caminhos de Fauzi ARap] me aconselha para a sobrevivência o ato de calar-se. Diz ele que desperdiçamos muitas energias com conversas, diálogos que não tem propósitos de outros caminhos, de seguir em frente, de dar a volta por cima. Falar só quando eu perceber que minhas palavras permitirão outras saídas, não quero nem vou vou deixar encurralarem-me, nem a vocês. É assim, posso estar neste momento indiferente ás dores alheias, posso estar imbuída de mim, do que eu tenho pra fazer, do que eu quero conquistar, para onde quero seguir, posso. Todos tem sem tempo para pensar, discutir consigo mesma, mudar de posição para ver o mundo e as pessoas de outros ângulos... E o que eu vejo me deixa engasgada, com dor no peito, nem sei bem o que se passa, nem sei bem o que vocês falam, só sinto intuitivamente que toca em mim, toca no que eu tenho de mais sincero no meu corpo.

Será que é imaginação? Será que é defesa? Será que é solidão?
Será que será?

Cuidem-se, apaziguem a dor, sarem, dancem, vivam, não deixe nem sequer o pensamento de falecimento se apoderar de suas cabeças-dançantes, não caiam, não se isolem, não se percam... Por aqui me ligo a todos seus passos. Vocês sou eu e eu sou vocês.

A dor tão doída também dói em mim.

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